Tristan Cavaleiro de Arthur – Loreana Valentini

Título: Tristan, Cavaleiro de Arthur
Autor: Loreana Valentini
Editora: Iluminuras
Páginas: 636
Ano: 2005

Você provavelmente não ouviu falar desse livro. Eu me deparei com ele por acaso, fazendo pesquisas desnecessárias no google. Ele me chamou a atenção por dois bons motivos: primeiro porque foi escrito por uma brasileira (legal!), segundo porque aborda a lenda de Tristan e Iseult (ou Tristão e Isolda).

Fiquei naturalmente animada com a perspectiva dessa leitura.
Devo dizer, talvez as minhas expectativas tenham ofuscado a qualidade da obra…

A história se inicia de maneira promissora: é narrada por Gorvenal, escudeiro de Rivalin, pai de Tristan. Ele conta como os pais de Tristan se conheceram e de como tragicamente morreram quando ele era ainda recém nascido e de como o Reino é tomado por Morgan, inimigo de seu pai.

Tristan é criado na ignorância por Rohalt, homem leal a Rivalin. Como é um garoto muito inteligente, Tristan aprende a ler e escrever, a lutar, a usa uma espada e a tocar harpa…
Enfim, coisas demais para uma pessoa só aprender.

Aí, um incidente trágico muda sua vida para sempre e faz ele se afastar de casa a fim de se tornar um cavaleiro….Ele acaba em Cornwall, reino de seu tio Marc (irmão de Blanchefleur, sua mãe). Torna-se cavaleiro e vence alguns duelos tenebrosos, porque ele é simplesmente muito bom…

Não vou entrar em maiores detalhes, mas é nessa época que ele conhece Iseult, a princesa da Irlanda.

A partir daí, já não fica tão bom. A narrativa torna-se repetitiva: muitos treinos militares, muitas batalhas nas quais Tristan demonstra exímia habilidade com a espada e muita angústia experimentada por ele também.

Para quem não sabe, Tristan e Iseult é a trágica história de um amor impossível. Por isso mesmo, o drama era esperado. Ainda assim, não me comoveu (o que é estranho, pois fico comovida com facilidade).
Os personagens apresentam pouca profundidade, Iseult principalmente, parece surgir apenas como um pretexto para o sofrimento de uma vida inteira de Tristan, sendo impossível distinguir os sentimentos da moça.

Infelizmente não deu para sentir o amor entre esses personagens.

Da metade em diante eu já estava contando as páginas para chegar ao final. É justamente aí que Tristan se junta a Arthur (e o titulo do livro passa a fazer sentido). Uma mudança de ares e sinal de esperança. Pois é, você até acha que alguma coisa legal vai acontecer com o protagonista, e que Tristan vai aprender alguma coisa sobre si mesmo ou sobre a vida.

Mas não, esses momentos acabam em mais decepções…Enfim, acho que não poderia ser diferente.

Em pouco tempo, Tristan abandona Arthur (quando não deveria) e, sete anos depois, conhece Kaherdin, um príncipe jovem e inexperiente. Surge aí uma intriga meio sem graça entre os líderes de reinos vizinhos…Tristan é odiado por todo mundo, mas só quer ajudar (para compensar os males que fez no passado, embora viva dizendo a si mesmo que não importa o que ele faça, ele nunca irá parar de sofrer).

Aí, quando você acha que ele já sofreu o bastante, ele sofre mais um pouco…só que a narrativa falha em traduzir os sentimentos experimentados pelo personagem.

O final, como já era de se esperar, é triste e por isso, apesar de tudo, é comovente.

Tristan - Cavaleiro de ArthurEm todo caso, mais algumas considerações se fazem necessárias. Primeiro, quanto a edição. A capa é muito bonita, as folhas de ótima qualidade, mas…O texto tem sérios problemas de revisão.

A linguagem escolhida pela autora é bem formal e causa estranheza no começo. Tudo bem, após um certo tempo você se acostuma e na verdade é até melhor do que uma linguagem muito coloquial.

Outra coisa que me incomodou foi a tentativa da autora de enquadrar elementos gregos e romanos e medievais. A autora é estudiosa dessas duas culturas, mas, na minha opinião não deveria tentar condensá-las em uma obra só num panorama medieval. Pelo menos não do jeito que fez. Faltou contextualização e as referências feitas a essas culturas ficaram forçadas e deslocadas na trama (os personagens as abordam de forma artificial).

Apesar disso, não me arrependo de ter lido.

A autora buscou recontar essa lenda ao seu modo reunindo sua paixão pela escrita, pela mitologia, pela história e pela cavalaria e, por isso, merece crédito.

Conclusão: O livro é bom, mas tinha condições de ser excelente, e, por isso, decepciona um pouco…

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