Alice Munro: vencedora do Prêmio Nobel de Literatura 2013

Munro

A Academia Sueca atribuiu o Prêmio Nobel da Literatura de 2013 a Alice Munro. A escritora canadense de 82 anos, tem mais de 15 obras publicadas em várias línguas.

A escritora canadense é uma documentarista minuciosa do espírito humano. Em relatos curtos, ela apresenta profundidade, sabedoria e precisão normalmente só encontradas em longas histórias, destacou a academia sueca.

Conhecida pelas histórias em que retrata as dificuldades das mulheres foi considerada “mestre do conto contemporâneo” pelo secretário da Academia Sueca que assim apresentou Alice Munro. Seus contos têm um tom intimista, emotivo, que envolve o leitor.

“Alice Munro é conhecida sobretudo como uma autora do relato curto, mas ela apresentou tanta profundidade, sabedoria e precisão em cada história como o fazem a maior parte dos romancistas em toda sua obra”, justificou o júri do Nobel.

“Ao ler Alice Munro cada vez se aprende alguma coisa que você não havia pensado antes”, completou o comitê.

Alice Munro passou a infância numa área rural do Canadá, ambiente retratado em muitas de suas obras em que a mulher ocupa papel de destaque.

A obra dela é comparada à do russo Anton Tchekhov, um dos maiores contistas de todos os tempos. Alice Munro descobriu que queria ser escritora ainda na adolescência, mas a primeira coletânea de contos só foi publicada quando tinha 37 anos.

No ano passado, depois de publicar a 14ª coletânea de contos da carreira, Alice Munro anunciou que iria se aposentar. Aos 82 anos, ela é a 13ª mulher a ganhar o Nobel de Literatura. E, pela primeira vez, o prêmio foi concedido a um escritor que se dedica exclusivamente ao conto.

Short Bio

amorboamulher

Apesar do sucesso e de vários prêmios literários nos últimos 40 anos, autora de “Felicidade Demais”, “Fugitiva” e “O Amor a de uma Boa Mulher”entre outros, sempre manteve a discrição, assim como seus personagens, essencialmente mulheres. Nos textos, ela nunca destaca a beleza física, provavelmente um reflexo das influências puritanas que marcaram sua infância.                  

Nascida em 10 de julho de 1931 em Wingham, oeste da província de Ontário, conheceu de perto a sociedade rural. Seu pai, Robert Eric Laidlaw, era um criador de raposas e aves de curral e sua mãe foi professora.

Na adolescência, decidiu que seria escritora, um caminho do qual não desviou ao longo da vida.

“Não tenho nenhum outro talento, não sou uma intelectual e tenho um desempenho ruim como dona de casa. Nada poderia vir a perturbar o que eu faço”, disse Munro há alguns anos.

Seu primeiro livro, “The Dimensions of Shadow”, foi publicado em 1950, quando era estudante da Universidade Western Ontario.

No período como estudante universitária conheceu James Munro, com quem casou em 1951 e se mudou para Vancouver (oeste do Canadá). O casal teve quatro filhos. Em 1963, a família se mudou para Victoria e abriu a livraria ‘Munro’s Books’, um local que ganhou fama no Canadá e Estados Unidos.

Alice Munro recebeu o prêmio ‘Governor General’ por sua primeira coleção de contos, “Dance of the Happy Shades”, editada em 1968. Recebeu outros prêmios e láureas no exterior, enquanto seus contos curtos, geralmente baseados na vida simples do condado de Huron, em Ontário, foram publicados em revistas de prestígio como The New Yorker e The Atlantic Monthly.

“Ela escreve sobre mulheres e para mulheres, mas não amaldiçoa os homens”, afirma David Homel.

Após o divórcio em 1972 se instalou como “escritora residente” na Universidade de Western Ontario. Em 1976 casou com Gerald Fremlin, um geógrafo falecido em abril de 2013 e com quem viveu em sua província de origem.

Uma de suas histórias, “Away from Her”, foi adaptada para o cinema pela atriz e diretora Sarah Polley em 2007 e teve como protagonista Julie Christie. “Longe Dela” (no Brasil) recebeu duas indicações ao Oscar: atriz e roteiro adaptado.

dearlife

Em 2009 recebeu o prestigioso Man Brooker Internacional Prize antes de revelar que havia derrotado um câncer, doença que afetou uma de suas heroínas em um relato publicado em fevereiro de 2008 na revista New Yorker.

Com grande lucidez, aos 82 anos, Munro publicou em 2012 “Dear Life”, que pode ser a 14ª e última compilação de contos, disse ela, após explicar que desejava se aposentar.

Confira os vencedores do prêmio Nobel de literatura desde 2000, e como a Academia Sueca os descreve:

  • Mo Yan em 2012: “seu realismo alucinógeno mistura contos folclóricos, história e o mundo contemporâneo”.
  • Tomas Tranströmer em 2011: “através de suas imagens translúcidas e condensadas, ele nos dá um novo acesso à realidade”.
  • Mario Vargas Llosa em 2010: “por sua cartografia das estruturas do poder e as imagens vigorosas da resistência, revolta e derrota dos indivíduos”.
  • Herta Müller em 2009: “com sua concentração de poesia e sinceridade na prosa, ela retrata a paisagem dos menos privilegiados”.
  • Jean-Marie Gustave Le Clézio em 2008: “autor de novas saídas, aventuras poéticas e êxtase sensual – explorador da humanidade além e abaixo da civilização dominante”.
  • Doris Lessing em 2007: “a épica autora da experiência humana, cujo ceticismo, fogo e poder visionário colocou em escrutínio uma civilização dividida”.
  • Orhan Pamuk em 2006: “que, na busca pela alma melancólica de sua cidade natal, descobriu novos símbolos do choque de culturas entrelaçadas”.
  • Harold Pinter em 2005: “que, em suas peças, revela o precipício abaixo das disputas cotidianas, e força as entradas nos quartos fechados da opressão”.
  • Elfriede Jelinek em 2004: “por seu fluxo musical de vozes e ‘contravozes’ em novelas e peças que – com zelo linguístico extraordinário – revelam o absurdo dos clichés da sociedade e do poder opressor”.
  • John M. Coetzee em 2003:“que em inúmeros disfarces retrata o envolvimento surpreendente do estranho”.
  • Imre Kertész em 2002: “por uma escrita que mantém a experiência frágil do indivíduo diante da arbitrariedade bárbara da história”.
  • Vidiadhar Surajprasad Naipaul em 2001: “por possuir uma narrativa com perspectiva coesa e por trabalhos de escrutínio incorruptível que nos levam a enxergar a presença de histórias suprimidas”.
  • Gao Xingjian em 2000: “por uma obra de validade universal, visões amargas e engenhosidade linguística, que abrem novos caminhos para novela e teatro chineses”.

_____________________________________________

fontes:
http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/entretenimento/noticias/conheca-alice-munro-vencedora-do-premio-nobel-de-literatura?page=1
http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/premio_nobel_da_literatura_atribuido_a_alice_munro.html
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2013/10/escritora-canadense-e-ganhadora-do-premio-nobel-de-literatura-de-2013.html
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/10/131010_nobel_literatura_dg.shtml

Anúncios

Deixe um Comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s