Lolita – Vladimir Nabokov [Resenha]

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Autor: Vladimir Nabokov
Título: Lolita
Tradução: Jorio Dauster
Editora: O Globo
Páginas: 312 + posfácio (7 pág)

Lolita, Lolita, o que dizer de Lolita…

Apesar de parecer imoral, e causar comoção a ponto de ser rejeitado por diversas editoras antes de ser publicado, o livro se estabeleceu como um clássico da literatura.

Muitos devem se perguntar o que tem na cabeça o autor que escreve um romance entre uma garota de 12 anos e um homem de 40? Outros devem se perguntar por quê alguém seria capaz de se interessar em ler algo assim? E ainda outras pessoas devem se chocar ao pensar que um livro desses é considerado um clássico. Bem, isso é Lolita, de Vladimir Nabokov.

A obra de conteúdo indiscutivelmente polêmico foi escrita nos anos de 1950 e apresenta como foco central o dito “romance” entre um homem na faixa dos 40 anos de idade – o Sr. Humbert Humbert (sim, esse é seu nome!) – e uma pré-adolescente de 12 anos, chamada Dolores Haze, ou Lolita – a famosa ninfeta.

Curiosidade: o livro deu origem a duas gírias de natureza sexual: lolita e ninfeta, significando meninas menores de idade ou pubescentes sexualmente atraentes e/ou precoces.

Ao contrário do que possa parecer não é um livro de conteúdo erótico, com descrição detalhada e acalorada de atos sexuais, embora seja, de fato, permeado por alguma sensualidade.

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Basicamente a história se passa ao redor da vida pacata do Sr. Humbert Humbert e do seu terrível segredo, ou, em outras palavras, sua discreta predileção por meninas ligeiramente mais novas (ainda sem as curvas características da maturidade sexual feminina). Ele é, de fato, um predador sexual, que afirma convicto jamais ser capaz de machucar o objeto de sua afeição.

E por isso, o “pobre Sr. Humbert Humbert” passa grande parte de sua vida adulta a observar sofregamente meninas brincando no parque…A descrição detalhada dessa atividade em particular é arrepiante, pois apresenta sem qualquer pudor os pensamentos que permeiam a mente de um pedófilo.

Só por essa experiência sensorial já é válida a leitura. Afinal, é Humbert quem segura a caneta e conta sua história. Aliás, aviso desde já que ele é uma figura muito cativante, e o leitor passa por terríveis angústias ao ler os relatos do Sr. Humbert Humbert.

Porém, o livro não é um grande misterio. A primeira parte fica reservada as explicações iniciais, a uma curta biografia do Sr. Humbert, que atribui a um amor traumático de infância a sua perversão, e a grande aflição por ele experimentada ao longo de sua convivência pura e imaculada com Lolita e sua mãe.

Aqui, vou tomar cuidado para não revelar detalhes de mais, porém, preciso dizer que após um trágico evento a história toma um novo rumo, agora mais propenso a concretização dos desejos (nefastos) do Sr. Humbert em relação a Lolita.

Da segunda metade em diante, a história torna-se um pouco repetitiva e morosa porque desvia-se do foco chocante (que, para mim, é a própria natureza do Sr. Humbert) e passa a dedicar-se a descrição dos locais visitados pelas personagens principais e a narrativa de uma nova etapa no relacionamento entre o Sr. H e Dolores.

O final foi de certa forma inesperado, embora plenamente possível de acontecer na vida real (o que o torna um tanto emocionante). Fiquei feliz por Lolita, ela é uma menina de grande personalidade.

Agora que li esta obra posso dizer que na verdade, me parece mais um relato a partir da perspectiva do Sr. Humbert Humbert daquilo que ele toma como um caso de amor (que é, para ele, abertamente correspondido por Lolita).

Talvez, se a história fosse contada a partir de outro ponto de vista (quem sabe o da própria Lolita), as descrições e interpretações conferidas aos acontecimentos fossem completamente diferentes.

Mas então não seria Lolita.

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P.S.: Vale destacar que a existência de um amor/romance ou de um caso de abuso entre o Sr. Humbert Humbert e Lolita sempre gera acalorada discussão.

Algumas pessoas defendem que uma menina de 12 anos é capaz de apaixonar-se como adulta por um homem mais velho. Outros insistem se tratar de caso de abuso (tanto emocional quanto sexual) a relação entre uma criança e um adulto; e outros ainda defendem que Lolita era muito cruel com o Sr. Humbert, que realmente a amava e a quem ela apenas manipulou.

Termino essa resenha deixando a questão em aberto. Afinal quando se trata de amor e de abuso cada caso é um caso e a narrativa deste, em particular, é totalmente parcial.

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Se você ficou curioso e quer saber um pouco mais recomendo outros posts sobre Lolita:
Blog Caminhando Por Fora
Blog Mestre das Resenhas 
Blog No Meu Mundo

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