Não se desespere: provocações filosóficas – Mario Sergio Cortella

não se desespere - mario sergio cortellaTítulo: Não se Desespere: provocações filosóficas
Autor: Mario Sergio Cortella
Editora: Vozes
Páginas: 140
ISBN: 978-85-326-4502-9

Mario Sergio Cortella é um filósofo brasileiro com quem temos muito o que aprender. Eu já tinha ouvido falar deste magnífico sujeito, mas só ano passado resolvi assistir a alguns vídeos de suas palestras. O resultado foi muito empolgante. O cara é um gênio. Com palavras simples, muita sabedoria e um toque de humor (inteligente!), Mario Sergio cativa o ouvinte com facilidade e o leva a pensar – ou, se preferir, filosofar…

penso, existo, e dou umas risdas também

Investi, então, no livro que passo a resenhar.

“Não se desespere! Provocações filosóficas”. Um título bastante chamativo (a capa também: é amarela, com um baita ponto de exclamação. Dá pra ver de longe!!!).

Cada capítulo traz uma pequena lição; são alguns ensinamentos que nos fazem refletir sobre diversos assuntos e temas envolvidos com o cotidiano. A proposta do livro, então, é nos fazer pensar para evoluir.

Aliás, esta é uma das lições mais importantes que extraio do livro: pensar (discutir, argumentar, filosofar) nos leva adiante. Viver no “piloto automático”, fazer sempre as mesmas coisas e não reciclar as ideias significa ficar estagnado, não evoluir. Por isso, converse, discuta, argumente. E não dê tanto crédito a quem só concorda com você; esta pessoa não está interessada em lhe ajudar a andar para frente.

Este é só um exemplo de lição que traduzi aqui por que achei interessante. Devo dizer que desde que comecei a ler o livro, quis separar três ensinamentos legais para compartilhar no blog. Não consegui. Eu sublinhei vinte e seis passagens importantes.

Pois é. E acredite em mim quando digo que fui muito seletivo, por que tinha mais coisas bacanas pra trazer pro leitor. Vou deixar algumas outras frases para o final deste texto, porque gostaria de compartilhar um pouco das palavras deste ótimo filósofo brasileiro.

Diga-se de passagem, gosto de enfatizar que ele é brasileiro. Acho importante cultuar alguém do nosso país por outro motivo que não seja a habilidade mágica com as pernas… Afinal, como diria Alvo Percival Wulfrico Brian Dumbledore, “Palavras são, na minha nada humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia. Capazes de causar grandes sofrimentos e também de remediá-los”.

Sigamos…

O autor também trabalha bastante com um tema que considero particularmente interessante, a etimologia – que é o estudo das origens das palavras.

Um exemplo bacana: de acordo com Cortella, as palavras “político” e “cidadão” têm o mesmo significado. A primeira deriva de polis, de origem grega; a segunda tem origem no latim, derivando da palavra civitate. Ambas as expressões significam cidade.

Apesar disso, nós gostamos de dizer que exercitamos nossa cidadania, mas nunca a política; em outras palavras, dizemos que “eu sou um cidadão, é claro, mas não sou político”. Errado. Segundo o autor, ocorreu um sequestro semântico das expressões. Até podemos dizer que não exercemos a política como profissão; mas somos inegavelmente políticos, pois todos exercitamos a convivência coletiva (vivemos em sociedade).

Por outro lado, a palavra “idiota” vem da expressão idíotes, em grego arcaico, que significava aquele que somente vive a vida privada, que ausenta-se da política. Ou seja, se você não é um político, é um idiota! Haha – meu humor não é tão sutil quanto o dele…

O que quero dizer com tudo isso, é que Cortella consegue atingir com tranquilidade o objetivo de seu livro. Faz a gente pensar sem nem percebermos. E isto é ótimo, pois filosofar é uma atividade logo associada à esforço mental profundo, algo difícil, chato e doloroso. Mas com este livrinho você filosofa se divertindo. É uma experiência muito bacana.

Vale muito a pena conferir. O livro contém só 140 páginas, dividas em 31 pequenas lições – as provocações filosóficas -, tendo de 3 a 5 páginas cada reflexão. Ou seja, facílimo de ler. Um capítulo por dia, e no fim do mês você terá evoluído significativamente.

Quem não puder/quiser ler os livros, não custa nada ouvir uma das entrevistas ou palestras do Mario Sergio. Existem vários disponíveis no youtube.

No final deste post vou deixar o link de uma entrevista bem descontraída que ele fez para o programa “Agora é Tarde” – à época apresentado por Danilo Gentili. Não é a minha particular favorita, pois existem outras bem mais instigantes. Mas é engraçada. E você pode começar por ela, conhecer o sujeito, ver se acha interessante o que ele tem a dizer, e então partir para outra entrevista mais séria.

Por fim, deixo aqui embaixo umas frases legais que extraí do livro, como forma da incentivo ao leitor…

Mario-Sergio-Cortela frase

– Sobre utopia: citando o escritor uruguaio Eduardo Galeano: “’A utopia é o meu horizonte’. Eu ando dois passos e ele se afasta dois passos, eu ando dez passos e ele se afasta dez passos. Ele disse: ‘Eu já entendi para que serve a minha utopia. A minha utopia não serve para que eu chegue até ela, mas para me impedir de parar de caminhar’” (p. 29).

– Sobre o individualismo: citando Gandhi: “’olho por olho, e o mundo acabará cego’” e também “’Sempre houve o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas; nunca haverá o suficiente para a cobiça humana’”. (p. 40 e 41). Citando um ditado africano: “Se quiser ir apenas rápido, vá sozinho; se quiser ir longe, vá com alguém” (p. 42).

– Sobre a omissão: “ficar omisso é ficar do lado de quem vai ganhar” (p. 47). “Cada vez que eu me omito, cada vez que eu silencio, cada vez que eu suponho que problemas de governo são apenas do Governo, eu não estou transferindo poder, eu estou abrindo mão dele” (p. 48). “É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão” (p. 50). “Os ausentes nunca têm razão” (p. 94).

* Nota do blogueiro: Considero esta lição importante para aquelas pessoas que pensam que anular voto é uma eficiente forma de protesto. Não é!

– Sobre a ausência de tempo no mundo moderno: “Quando o importante fica sufocado pelo urgente, o tempo para consertar tal distúrbio é muito maior do que aquele que se usaria antes de ele existir…” (p. 128).

– Sobre violência: “Violência é notícia; má notícia, mas, infelizmente, e, por isso mesmo, mais atraente. A mórbida relação pânico/salvação (fundamento, também, de algumas religiões e vários partidos políticos liberticidas) invadiu as preocupações da população; mostra-se o fato, instaura-se o pânico, anuncia-se a salvação!
Diagnóstico mais comum para a situação? Falta de firmeza e excesso de impunidade! Terapias recomendadas (algumas delirantes, outras demagógicas, e, muitas, equivocadas): pena de morte, presídios em profusão, truculência policial, abrigos de “segurança máxima” para menores, diminuição da maioridade penal, etc.
Ora, todas as formas de violência mencionadas precisam ser combatidas e extintas […]” (p. 101-102).

* Nota do blogueiro: Isto lembra você de alguns programas de TV? Pois é! Antes de sair por aí repetindo as palavras da “salvação”, é bom pensar bem se estas “soluções” são realmente eficazes…

– Sobre a conformidade: “Uma parte imensa de homens e mulheres vive com muita força o apodrecimento da esperança: a ideia de que as coisas são como são e não há outro modo delas serem; a ideia de que a humanidade está do jeito que ela pode ser; que a nossa vida está na única possibilidade que ela teria. Esse apodrecimento da esperança impede que a vida se engrandeça e remete milhares e milhares de homens e mulheres ao terreno da conformidade, da subserviência e da insignificância em relação à possibilidade de construir uma realidade que seja diferente. (p. 110).

* Nota do blogueiro: Fica de mensagem final deste post uma historinha que o autor conta, que é mais ou menos assim: um elefante de circo fica preso a uma corda amarrada no mastro central. Sendo um bicho muito forte, se quisesse, ele facilmente se desprenderia, e derrubaria toda a estrutura. Porém, não o faz.
Sabe qual o motivo? Porque, quando filhote, após alguém o ter amarrado, o elefante tentou se livrar uma vez, sem sucesso; tentou a segunda, e levou o tranco de novo. Depois disso, nunca mais tentou…

O link para a entrevista que falei é este aqui http://www.youtube.com/watch?v=ELmeVRgZP68

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3 Comments

    1. Bom, não seja por isso. De vez em quando vejo este livro em promoção nos sites de venda pela internet. Numa dessas você pode ficar atento e conseguir um bom preço. Ou ainda, é bom lembrar que sempre existe a opção de procurar em sebos para pagar um precinho mais em conta. Inclusive no http://www.estantevirtual.com.br deve ter alguma coisa… Vale a pena investir, este é um livro para ter na coleção!! Abraço.

      Responder

  1. Muito, obrigado por me terem passado estes conhecimentos é de mas valia,estou muito grato por estas competências adquiridas, um abraço espero que não parem com a obra felicidades.

    Responder

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