Xadrez de Austen e Puberdade

Ok gente, este post é um pouquinho diferente. Acabei de ler Persuasão e antes dele já tinha lido a Abadia de Northanger, ambos escritos por Jane Austen e, dadas as características que reinam na escrita dessa autora, concluí que não será necessário fazer uma resenha para cada um dos livros.

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Aliás, nessa postagem não vou falar apenas desses dois livros. Vou falar de Jane Austen e acho que será mais produtivo.
Então, vamos lá…
Jane Austen, Jane Austen.
Apesar de todos os adjetivos positivos a ela atribuídos é preciso admitir que ela parece estar sempre falando da mesma coisa em todos os seus romances.
Na verdade, ainda não li todos os seus romances publicados (6 no total), mas dos quatro que já li (porque sempre dou mais uma chance) posso concluir que o leitor sempre vai encontrar uma jovem de família simples que, ignorada por seus parentes, não é lá tão bonita, mas é inteligente e espirituosa; um jovem rico que apesar de todos os estigmas sociais se apaixona pela heroína; um nobre orgulhoso para interferir e uma amiga ou senhora desmiolada. Ah, e sempre tem um jovem charlatão também, que tenta se casar com a heroína seja por dinheiro ou por um título de nobreza.

Enfim, são as peças do xadrez de Austen, que são o que são e nada mais.
Aliás, é exatamente isso. É como se Austen tivesse, sei lá, algumas peças de xadrez que ela movimenta mais ou menos da mesma forma no tabuleiro… O que muda essencialmente em seus romances é o nome das personagens e o local dos acontecimentos (e os locais nem mudam tanto, Bath sempre dá um jeitinho de aparecer).
E então tem a trama do romance! A narrativa sempre nos oferece sentimentos reprimidos, encontros, desencontros, mal entendidos e um cotidiano bem entediante.
Eu sei que existe uma grande idolatria ao redor de Jane Austen, uma autora consagrada como mestre da ironia e da sutileza. Até concordo que ela traz uma dose de humor por conta dessa ironia (depois de um tempo você começa a notar como ela debocha dos nobres pomposos e excessivamente vaidosos – o que para mim é dor de cotovelo…).
Mas, ainda assim, na maior parte do tempo a leitura é um tédio. Você lê, lê e lê e nada acontece.

JaneAusten

Ah, e no final, todos se casam felizes da vida e em datas muito próximas (tipo novela das oito). Desculpem pelo spoiler, mas o final é detectável já no segundo capítulo.
Sei lá, talvez as qualidades desses romances tenham se perdido na tradução. Quero dizer, talvez a ironia seja mais facilmente perceptível na língua inglesa. Ou ainda, se eu estivesse mais ciente de como era a vida a Inglaterra rural daquela época (séc. XVIII – XIX) eu poderia ter uma outra opinião a respeito.

Mas acho que não.

Caçar ratos parece mais legal do que ler Jane Austen.

mousegun

Não quero desmerecer a autora (e nem ofender seus fãs), mas Jane Austen é para leitores muito românticos e muito, muito, muito pacientes.

P.S.: Agora, talvez correndo o risco que ofender um pouquinho quem aprecia seus escritos, só posso dizer que Jane Austen escreve como uma virgem pré-adolescente. Pelo menos é assim que eu interpreto os arroubos de paixão que suas heroínas experimentam e (imediatamente reprimem) por conta de uma breve conversa ou então uma troca de olhares com o ricaço bonitão.
Ao final das histórias, essas heroínas “não ousam acreditar em sua felicidade” ao descobrir que durante todo aquele tempo em que sofriam por um amor supostamente não correspondido, os respectivos Senhores Príncipe Encantado (vulgo ricaços bonitões) estavam total e perdidamente apaixonados por elas, a ponto de desafiar a sociedade inglesa da época e pedir em casamento mulheres consideradas “de origem inferior”.

Eca! Que chatice. Não há ironia o suficiente no mundo para suplantar toda essa pieguisse!

Ainda assim, pretendo ler todos os seus romances publicados, só para ter certeza. c:

P.P.S.: Em todo o caso, eu sou muito grata a querida Jane, porque sem ela não haveria Bridget Jones.

Bridget-Jones-DiaryPara quem não sabe, “O Diário de Bridget Jones” (escrito por Helen Fielding) é livremente inspirado em “Orgulho e Preconceito”, só que a heroína é muito mais divertida. Outra curiosidade é que essa cômica personagem britânica – interpretada por Renè Zellweger – envolve-se com um tal de Sr. Darcy (mesmo nome do ricaço bonitão de Orgulho e Preconceito), sendo que ele é interpretado por Colin Firth (tanto em Bridget Jones quanto na minisérie britânica Orgulho e Preconceito de 1995 da BBC).

Inclusive, é recente o lançamento do terceiro livro da série escrita por Helen Fielding (Bridget Jones: louca pelo garoto; editora companhia das letras).

Louca_BridgetPor enquanto não tenho intenção de ler, por dois bons motivos. Primeiro, o Sr. Darcy morre (não fique com raiva de mim, isso não é spoiler. Lidar com a vida sem o Sr. Darcy é o novo tema do livro, aparentemente); segundo, eu já tenho uma pilha enorme (que não para de aumentar) de livros para ler.

Então é isso meus caros. Eu não recomendo a leitura de Jane Austen, a não ser que você, assim como eu, queira conhecer a origem de tantas adaptações para a TV e o cinema.

Por outro lado, recomendo a série  Bridget Jones (tanto de livros quanto de filmes) para quem quiser dar uma boa risada.

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2 Comments

  1. Sempre ouvi grandes elogios ao livro ‘Orgulho e Preconceito’, principalmente depois que lançaram os filmes dos livros da Austen. Eu já não tinha tanta curiosidade em lê-los, mas eu, pelo menos, lerei Orgulho e Preconceito que parece ser um dos melhorezinhos. Porém, eu já esperava essa persistência no tema de romantismo por todos os livros, inclusive porque os títulos dos livros entregam o tema de cara. Rs

    Responder

    1. Realmente Vagner,
      Jane Austen é sempre uma autora muito elogiada, mas acho que as pessoas em geral fazem um grande esforço para ignorar o excesso de romantismo e de frustrações pessoais que Austen coloca em suas obras (apesar de também inserir alguns lampejos de ironia de vez em quando).

      Em todo caso, Orgulho e Preconceito parece ser uma boa opção para um primeiro contato com Jane Austen.

      Desejo a você uma boa leitura!

      Responder

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