A Menina que Roubava Livros – Markus Zusak

a_menina_que_roubava_livros

Título: A Menina que Roubava Livros
Autor: Markus Zusak
Tradução: Vera Ribeiro
Editora: Intrínseca
Páginas: 480
ISBN: 978-85-98078-17-5

Antes de comentar sobre a história deste livro, me senti compelida a confessar um pequeno acontecimento que me fez postergar a leitura até este momento.
Quando “A Menina que Roubava Livros” começou a ser vendido, um outro livro fazia grande sucesso de vendas.

Seu nome: “O Caçador de Pipas”. Na época eu era o que se pode chamar de “anti-sucessos” (sentia natural antipatia por qualquer obra que estivesse no topo da lista dos mais vendidos), então, é fácil concluir que eu não li “O Caçador de Pipas” (situação que até hoje se mantém).

O que quero dizer é que eu continuo ignorando o real conteúdo desse livro, mas, pelo que me lembro, a história é ambientada em algum lugar no Oriente Médio.

Não é que eu tenha algo contra essa região geográfica em particular, mas, a princípio, não fiquei interessada.

OK, então, eis que, logo depois de “O Caçador de Pipas” surge “A Menina que Roubava Livros”, com uma capa bem legal – Você viu a capa?

A-Menina-que-Roubava-Livros-

Uma figura humana vestida de preto, carregando um guarda-chuva vermelho e caminhando por um campo todo branco de neve…

Pois é, quando eu vi a capa (ainda na onda de “O Caçador” e até de “O livreiro de Cabul”), tive certeza de que se tratava de uma menina de burca que roubava livros em Cabul ou algo assim, porque era proibida de estudar.

Ignorância total, eu sei. Foi só recentemente que eu “descobri’ do que realmente se tratava, quando meu namorado, ao me ouvir falar sobre a “menina de burca na capa”, virou para mim e disse: querida, eu acho que é a morte na capa…

Haha, pois é.

Não, eu não tinha percebido. Nem mesmo depois de ler o comentário na contracapa que dizia “quando a morte conta uma história, você deve parar para ler”.

a menina que roubava livros back

Certo, então, sem mais enrolação, vamos à resenha propriamente dita.

Obviamente a narrativa não ocorre no Oriente Médio, a menina não usa burca e é a Morte que(m) nos narra a história. A história de Liesel Meminger.

liesel

Não dá para dizer se a história dela é muito diferente da história de muitas outras meninas alemãs que viveram na Alemanha durante o regime nazista. Mas por alguma razão, despertou a curiosidade dessa observadora peculiar.

Durante sua narrativa, a Morte reflete a respeito da humanidade, das coisas belas e das coisas terríveis que os seres humanos são capazes de fazer uns aos outros.

Mas, a história principal é mesmo de Liesel, que é colocada em um lar adotivo pelo Serviço Social alemão (porque seu pai é um comunista e sua mãe estava sendo perseguida pelo governo nazista – que crescia mais forte a cada dia).

Na verdade, era para ela e seu irmãozinho serem colocados nesse novo lar, mas ele não resiste à viagem, morre no trem que transportava a família para Molching, uma cidadezinha nos arredores de Munique.

É no trem, inclusive, que a nossa ilustre narradora se encontra pela primeira vez com Liesel. Elas irão se encontrar pelo menos mais duas vezes ao longo da história.
Não vou entrar em maiores detalhes para não acabar com a curiosidade de quem ainda não leu.

Vou apenas acrescentar que este livro está repleto de personagens incríveis, especialmente por se tratarem de pessoas comuns (com uma dose extra de coragem) que vivem em dificuldade (financeira e psicológica) na Alemanha nazista e que, ainda assim, encontram espaço para as pequenas alegrias da vida.

Laços improváveis de amizade se formam – a beleza da humanidade se revela em gestos simples como um abraço em um momento de escuridão e incerteza.

O livro é mesmo permeado por passagens tocantes sem ser apelativo (raridade nos dias de hoje).

A parte em que a menina rouba livros acaba quase esquecida (não é o foco central, na minha opinião) Mas é importante dizer que este é o fio que conecta todos os personagens com Liesel.

a-menina-que-roubava-livros-filme

Agora, apesar de ser uma história muito bonita e comovente, uma coisa me incomodou bastante. O conceito da Morte como narradora da trama.

Primeiro porque me pareceu meio falho e completamente ocidentalizado, às vezes faltado a profundidade necessária para convencer.

Também, depois de assistir à Encontro Marcado (1998), com Brad Pitt e Anthony Hopkins é difícil imaginar a Morte de qualquer outro jeito (aliás, filme recomendado! Assista ao trailer aqui).

meet_joe_black_still1

Tudo bem, a Morte como narradora não era o ideal, me incomodou um pouco, mas provavelmente é só chatice minha. Afinal, considerando que eu levei apenas três dias para terminar o livro (final de sexta-feira e leitura intensiva no sábado e domingo) não dá para dizer que o livro é ruim, nem que foi prejudicado pelo seu narrador.

É isso galera, recomendo bastante a leitura.

Anúncios

Deixe um Comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s