Um Dia – David Nicholls

Um-Dia
Título: Um dia 
Autor: David Nicholls

Tradução: Claudio Carina
Editora: Intrínseca
Páginas: 410
ISBN: 978-58-8057-096-0

Uma vez me disseram que “Um Dia” era um livro que levantava bastante discussão entre os leitores, podendo ser amado ou odiado por suas características.

Acho que consigo entender o motivo. “Um Dia” tem seus momentos de brilhantismo, e consegue transmitir sentimentos genuínos experimentados por pessoas comuns, especialmente no que diz respeito ao amor “não correspondido” ou a falta de timing que um casal – com tudo para ser perfeito – pode ter.

mais_um_dia_1050x984 - Cópia

A história narra a vida de Emma Morley e Dexter Mayhew ao longo de vinte anos. Tudo começa em 1988, na manhã seguinte a noite de formatura na faculdade, e segue adiante todos os anos no mesmo dia em que ambos se conheceram, 15 de julho, dia de São Swithin.

Apesar de passar aquela impressão de “história real”, “poderia acontecer de verdade”, particularmente eu fico com os leitores que não gostaram tanto assim de “Um Dia”.

Explico.

Nicholls conseguiu reunir muitos elementos que eu detesto em um livro só. Primeiro, tem muitos diálogos e pouca ambientação; as descrições dos locais (e às vezes até dos sentimentos) são ao mesmo tempo pretensiosas e preguiçosas.

E, os personagens são quase bons, tirando os clichês – que são muitos. Vou citar um exemplo aqui, só para ter certeza de que consegui transmitir minha ideia:

———————

Dexter Mayhew. Ela o observou por entre a franja, recostado na cabeceira acolchoada da cama barata, e, mesmo sem óculos, entendeu muito bem porque ele queria continuar exatamente daquele jeito. Olhos fechados, o cigarro colado languidamente no lábio inferior, a luz da manhã filtrada pelo tom avermelhado das cortinas aquecendo um lado do rosto, ele parecia estar sempre posando para uma fotografia”.

———————–

Basicamente, não gostei do estilo da escrita do autor, que lembra mais um roteiro ou script do que um romance propriamente dito (não é à toa, Nicholls é roteirista da BBC).

David Nicholls, o autor

David Nicholls, o autor

Em todo caso, posso dizer que, sim, me identifiquei com alguns dos sentimentos experimentados pelos personagens principais.

Mas volto a insistir, o estilo do autor comprometeu a obra para mim.

Para se ter uma ideia, eu só me senti comovida com a narrativa lá por volta da página 116, e depois disso também foi muito pouco (e todo mundo sabe que eu sou uma manteiga derretida).

Recomendo a leitura? Não sei. Provavelmente não.

Tem histórias mais bem contadas por aí…

Anúncios

Deixe um Comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s