O Dia do Curinga – Jostein Gaarder

capa curinga
Título
: O dia do Curinga
Autor: Jostein Gaarder
Tradução: João Azenha Jr.
Editora: Companhia de Bolso
Páginas: 340
ISBN: 978-85-359.1024-7

Leitores deste blog maravilhoso! Hoje a postagem tratará do livro “O dia do Curinga”, de Jostein Gaarder, mesmo autor de “O Mundo de Sofia”. O livro é excelente, e vale muito a pena conferir a resenha. Vamos lá!

Hans-Thomas, doravante apelidado por mim como HT, é um garoto de 12 anos que embarca numa viagem fantástica e leva o leitor junto com ele. Acompanhado pelo seu pai, viaja pela Europa em busca do reencontro com sua mãe, que os havia deixado para seguir a carreira de modelo fotográfica.

O livro basicamente se desenrola nesta aventura. O pai de HT é um filósofo que ao longo do caminho desperta a curiosidade o filho – e também do leitor, assim espero – ao tratar de questões muito importantes, mas que hoje são esquecidas pela grande maioria das pessoas. Normalmente, estão atreladas à origem do mundo, ao sentido e à grandiosidade da vida.

Logo no começo, HT conhecesse um anão que lhe entrega uma lupa e diz que ela será útil no futuro. O mesmo sujeito baixinho ainda engana os dois viajantes e indica o caminho errado a ser seguido por aqueles, que acabam se desviando do rumo inicial da aventura e parando em Dorf, Suíça. E, não bastasse, ao longo de todo o caminho o anão aparece para HT em diversas oportunidades, dando a impressão de ser um fantasma, pela rapidez com que dá as caras e desaparece sem ser visto por outras pessoas.

Na cidade de Dorf, quis o destino (aliás, existe destino?) que HT entrasse numa padaria e conhecesse outro personagem muito importante pra história, o padeiro Ludwig.

O gentil fazedor de pães se afeiçoa ao menino, troca algumas palavras com ele e dá uns pãezinhos para saciar a fome de HT. E a surpresa vem quando, dentro do maior pão, Hans-Thomas encontra um minúsculo livro, de conteúdo totalmente ilegível a olho nu (descrito como um pouco maior que uma caixa de fósforos).

Sorte (será?) que ele havia ganhado uma lupa do anãozinho, certo?!

HT passa a ler frequentemente, e descobre outro mundo de fantasias muito peculiar.

Escrito pelo próprio Ludwig, o livrinho relata sua história de vida, e de como se tornou um padeiro. Então, adentramos em outras histórias paralelas, da vida do mestre de Ludwig (Albert), e do mestre do mestre daquele (Hans). Todas as histórias acabam se cruzando, e HT vai descobrindo algumas coincidências entre elas e sua realidade.

Ao final, o livrinho revela um desfecho inesperado e emocionante, que transforma a vida do garoto para sempre.

coringa wall

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Sobre “O dia do Curinga”, preciso dizer que gostei demais. Muito boa a história, e todo o jeito como ela te leva a pensar em muitas coisas importantes. A narrativa é bastante metafórica e envolve muita filosofia, de modo que é quase impossível sair “imune” a alguma reflexão após a leitura. Conteúdo muito rico mesmo.

E em geral, é um livro fácil de ler, bem agradável e viciante, às vezes. Daqueles que se você vai ler antes de dormir, perde o sono para a vontade de continuar lendo. São poucos que me fazem sentir assim…

A única parte que eu achei um pouco ruim, é que em meio a tantas histórias cruzadas, você acaba se perdendo na leitura. Pelo menos eu (disléxico!), em muitas oportunidades, não sabia muito bem sobre quem se estava falando, e tinha que ler e reler pra tentar captar tudo.

Enfim, ótima leitura. Definitivamente recomendado.

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Sobre Jostein Gaarder, eu diria que se trata de um escritor com uma função bem definida na literatura: inspirar adolescentes, jovens e qualquer pessoa que se proponha a ler seus livros a explorar um pouco o caminho da filosofia. No meio das suas aventuras literárias ele sempre dá um jeito de trazê-la ao leitor. Foi assim com oura obra já resenhada aqui no blog também, “O mundo de Sofia”. Grande escritor!

Deixo, por fim,uma frase contida no livro, pra ser levada adiante: “[…] quando a gente entende que não entende alguma coisa é que a gente está prestes a entender tudo…” (p. 191).

Alguns comentários extras:

Dentro de uma das histórias cruzadas, apresenta-se um calendário alternativo ao que hoje se segue no mundo ocidental. E baseado em que? Nas cartas do baralho! Segue a fórmula na imagem abaixo:

Calendário Coringa

Obs.: Existe uma página no Twitter que conta os dias do nosso calendário na fórmula do calendário do Curinga: https://twitter.com/calencur.

Muito legal. de acordo com esta contagem, este post vai ao ar no dia seis de copas, da semana sete de paus, do mês cinco na estacão de paus. Ano quatro de paus e dia numero 135.

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Antes de ser um personagem do capeta na série Batman, o Curinga (escreve-se mesmo com “u”coringa 11 ou o certo é Coringa com “o”?) era só uma carta de baralho. Mas o que ele representa? Afinal de contas, existem 52 cartas no baralho, mas só um curinga. O livro, vez ou outra, traz o assunto à tona. Vale destacar um trechinho bem interessante da fala do próprio Curinga:

“Minha casa é um lugar nenhum – prosseguiu ele. – Não sou de copas, nem de ouros, nem de paus, nem de espadas. Também não sou rei ou Valete, nem oito, nem ás. Aqui estou eu, um simples Curinga. E tive de descobrir sozinho o que é ser um curinga. Toda vez que mexo a cabeça, meus guizos tilintam e me lembram de que eu não tenho família, de que sou sozinho. Não tenho número nem um ofício. Não domino a arte de soprar vidro dos anões de ouros, nem a arte da panificação dos anões de copa; a mim faltam as mãos habilidosas para lidar com a terra, como as dos anões de paus, e também a força muscular dos anões de espadas. Assim, tudo o que sempre fiz foi andar por aí observando tudo o que os outros faziam. Em contrapartida, pude ver um monte de coisas para as quais todos os outros sempre foram cegos.
Enquanto falava, o Curinga mexia o pezinho da perna cruzada e seus guizos tilintavam bem baixinhos a cada movimento.
– Toda manhã vocês se levantavam e saíam para o trabalho. Na verdade, porém, vocês nunca estiveram de fato acordados. Pode ser que vocês tenham visto o sol, a lua e as estrelas no céu, e também tudo que existe e que se move sobre a terra … mas vocês nunca viram essas coisas como elas realmente são. No Caso do curinga é diferente, pois ele veio ao mundo com o defeito de ver coisas demais e de ver todas elas em profundidade!”  (p. 267).

Vale a pena ler o livro e refletir um pouco sobre este personagem tão misterioso e fantástico…

dia do curinga final

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